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Obesidade em pacientes que não comem?

Obesidade em pacientes que não comem?

 

A verdadeira epidemia de obesidade em curso no mundo chegou de vez ao Brasil! Vários alertas tem sido dados pelas sociedades médicas (Endocrinologia, Cardiologia, Pediatria, entre outras), que demonstram cada vez mais preocupação com as consequências dessa situação em todo o mundo. No Brasil, a melhora do poder aquisitivo associada a uma falta de educação sobre o que é uma alimentação saudável, agravados pelo sedentarismo, são as causas apontadas como principais para o problema.

Entretanto, na prática de consultório, temos encontrado uma situação no mínimo intrigante, que acontece especialmente no sexo feminino: os pacientes obesos que não comem! Por incrível que pareça, essa é a resposta de 90% dos clientes, na maioria mulheres, que procuram o consultório de cardiologistas com problemas de hipertensão arterial, falta de ar, cansaço aos esforços, dores na coluna e joelhos, diabetes e elevação dos lipídios no sangue (colesterol e triglicérides). Quando perguntadas sobre como conseguiram aumentar o seu peso em 20, 30, ‘as vezes até 50 quilos acima do ideal para sua altura, ele(a)s sempre dizem que… não comem quase nada!!! Muitos não fazem mais do que uma refeição ao dia, por vezes ficam em jejum por longos períodos, de até 12 horas. E continuam engordando. O que está acontecendo então¿ Problemas na tireóide¿ Ansiedade que engorda¿ Será que é a água da cidade¿ Como entender e tentar resolver o problema¿

Algumas informações importantes:

-  doenças da tireóide são responsáveis por menos de 10% dos casos de obesidade, e quando tratadas, geralmente já não tem mais relação com o quadro.

- ansiedade não engorda! Pessoas ansiosas podem comer demais e assim ganham peso… então o que engorda é o excesso de comida.

- história familiar de obesidade frequentemente está relacionada com hábito alimentar errado de toda a família (os pais são exemplos para os filhos).

- o sedentarismo é prejudicial ‘a saúde, mas não é uma causa primária de obesidade; e fazer exercícios isoladamente não é tratamento para o excesso de peso, precisa estar associado com uma dieta equilibrada e de baixa quantidade de calorias.

“Bom, então o que está acontecendo doutor¿ Por que eu não emagreço¿” A resposta parece óbvia, mas quando o médico fala, as pessoas ficam surpresas e muitas indignadas: “você está comendo mais do que necessita, assim o seu corpo retém uma parte do excesso em forma de gordura, imaginando usar esse estoque em uma situação de necessidade no futuro”.

Nesse ponto da consulta ocorrem duas coisas: o paciente discorda e acaba ficando irritado com o médico e por vezes procura outro profissional que “acredite” no que ele está dizendo ou o médico perde a paciência e “desiste” de tratar a obesidade do paciente. As duas opções são ruins e não resolvem o problema. Então aqui vão sugestões para você que atualmente faz parte do “clube dos gordinhos” e realmente quer melhorar sua situação:

a)      “aceite” sua obesidade como uma problema alimentar e não tente encontrar causas mirabolantes do por que você está gordo: obesidade tem a ver com o excesso de calorias ingeridas em mais 90% dos casos.

b)      lembre-se de como você era no passado: a maioria das pessoas não foram gordas a vida inteira, então procure entender o que mudou para que você ganhasse peso.

c)       Evite as dietas da moda (da lua, da sopa, do abacaxi, do chá verde, roxo, azul, etc); quase sempre elas só funcionam porque restringem muito a ingestão de alimentos calóricos, a perda de peso é rápida, mas não se sustenta e você vai engordar de novo. Afinal, não dá para seguir dietas malucas por muito tempo!

d)      Associe exercícios físicos (caminhadas, pedalar, nadar, dançar, etc) com a dieta, o resultado vai ser mais rápido e duradouro.

Enfim, procure retornar o mais rápido possível ao seu peso correto. Seu coração, cérebro, rins, pâncreas, coluna, quadril e todo o seu organismo vão agradecer!

 

 

 

 

 

 

 

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escrito por Dr. Daniel Daher

Especialista em Cardiologia e em Medicina do Esporte.
Presidente do Grupo de Estudos em Cardioesporte e vice-presidente de Cardioesporte do DERC/SBC

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